Nothing changes on New Years Day

Espero que muitas coisas continuem as mesmas. E Espero que muitas outras coisas mudem, em todos os planos, com todos os detalhes, e aqueles sacrifícios necessários. A dor, a perspectiva e a alegria de perceber as nuances do que nos ronda.

Desejo o melhor para este pequeno - porém fiel - grupo de leitores do Veneninho. Feliz 2006 para nós.

Rak.

Diálogos Impagáveis IV

Natal, no comércio, é mais ou menos assim:

Cliente Perua: (já chega falando muito) ... quero livros sobre a França, fotos de Paris, arte. É para colocar na minha casa, imagine, minha casa nem tem mais lugar para livros, eu gosto de livros e compro muito, estou sem espaço e mesmo assim continuo comprando ha-ha-ha (risada de perua).

Eu: Temos algumas boas opções e blablabla (enchendo linguça, falando do produto). Tudo muito bonito, meu favorito é esse...

Perua: Vê o preço. Olha, que baratinho! Vou levar. Tem alguma coisa nova? Sabe que eu já vi todas essas obras pessoalmente, quando viajei à Europa, nos museus de Paris, tudo belíssimo, vi muita coisa mesmo, adoro arte.

Eu: (querendo fazer meu Natal) Você já viu o novo livro do Botticelli? Está belíssimo (e custa R$ 510!!!)

Perua:(vira-se curiosa. morde a haste do óculos) Botticelli? Quem é esse?!

Eu: ... Tem esse da França também.

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Retirei alguns links, porque muitos endereços estavam desatualizados ou efetivamente mortos. Deixe no comments o endereço correto, caso deseje ser linkado ao Veneninho. Grata pela atenção. ¬¬

Momento Chiste

Bruna Surfistinha é uma puta escritora.

Ela vive dando entrevista na tevê porque é garota de programa.

Fim do momento Chiste.

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Comprei ótimos livros ao longo desses seis meses de trabalho como vendedora. Não vou listar, senão a minha mãe vai ligar no RH e pedir para me demitirem. Brincadeira. Mas eu comprei (muitos) bons livros, mesmo.

O mais absurdo é a minha incrível e quase incontrolável vontade de aprender a costurar. Depois de meses vendo livros de trabalhos manuais, comecei a me interessar por patchwork e quilt. O interessante é que na minha família somos todos artistas, mas dificilmente nos envolvemos com coisas muito complexas. Pincéis e tintas, papel e tesoura, flores secas e vasos de papier marche (escreve assim? preguiça...). Máquina de costura só para cobrir o buraco dos fundilhos do jeans. A tendência da família é cortar, cortar, cortar.

Consegui voltar os olhos para as coisas todas ao meu redor, observando o que está ao meu lado e o que está distante, os detalhes que compõem cada objeto, cada gesto e cada frase. Penso criativamente, voltei a ter sonhos, a ter vontade de criar. Depois de hibernar a mente por tempo indeterminado, depois de duvidar do meu potencial como pessoa criativa, e negligenciar isso com algumas - porém determinantes - atitudes destrutivas ou que poderiam embaçar-me, acabo por descobrir que dentro de mim existe uma fonte inesgotável de idéias, que qualquer pequena coisa que meus olhos vejam, qualquer palavra que meus ouvidos capturem é suficiente para fazer brotar dessa fonte algo novo e incrível, agradável, que excite e faça pensar. Me sinto novamente completa, e pronta para pôr em dia os meus projetos; por alguns momentos, temi pelo futuro, temi por ter perdido de vista o foco, o meu foco, aquilo que me move e me faz querer mais. Mas eu digo com certeza: minha cabeça pensante e ruiva continua viva!

Continuo aqui, e vocês continuem aí, caras.

Tô aqui, tô aqui.

Update rápido. Nesses últimos dias eu:

- fiquei sabendo que o Trabalho de Conclusão de Curso que fiz juntamente com o grupo mais foda do universo foi escolhido pela Universidade entre os melhores dos últimos anos, e gravaram ele em um DVD rom ou outra midia qualquer, acompanhando outros TCCs muito fodas também;

- descobri duas baladinhas legais. Uma delas eu não fui, mas o nome é ótimo - PUTAS A CAVALO. e tem o Par-a-dice, que é perto de casa e só toca som bom (além de ser o projeto do casal Jay & Luli, meus amores);

- parei de beber qualquer coisa alcoólica e tem sido muito intrigante se divertir assim;

- o show NIN foi perfeito, emocionante e eu chorei em "Hurt"; fechei meu ano com chave de ouro, ouvindo (e vendo!) ao vivo o TRent Reznor cantando as músicas da minha adolescência - que nem faz tanto tempo...

- cortei o cabelo e pintei com o vermelho mais forte que tinha no salão.

- saudade de todos vocês, seu ingratos que não escrevem, telefonam e entram em contato comigo. =]

 

ai.

 

saudade de mim.

Dois dias sem o meu remédio me jogou na cara o óbvio - eu não sou uma pessoa quimicamente equilibrada. Puta mau-humor ontem. Mas tudo voltou ao normal, estou sorrindo. Mas ainda não sinto vontade de comer flores e abraçar crianças.

E Yodo, eu depilo minhas axilas. ¬¬ (não é nenhum fetiche. pra entender, leia o comentário no post anterior).

No dia dos Mortos, os vivos compensam o vazio de suas vidas consumindo MUITO. O Shopping estava um inferno, com pré-adolescentes e seus hormônios fervendo, mães coniventes com gritinhos e correrias, velhinhos com mau-hálito e madames burras. Não queiram estar na minha pele.

Mas eu consigo me divertir ainda assim. É a velha história da adaptação.

Estou com dúvidas sobre o que fazer com os meus cabelos semi-longos e relativamente ruivos. Da última vez que eu fiz uma enquete, foi um desastre total (sempre por culpa do Gusta. porra, Gusta!). Mas boas - eu disse boas - idéias são sempre bem vindas. E não adianta pedir, que eu não deixo o meu cabelim crescer.

Sem grandes idéias e inspirações no momento. Alguma saudade de criar, mas já consigo ler meus livros e pagar minhas contas (um pouco mais) tranquilamente. Começo a sentir falta dos fins de semana, dos encontros e toda aquela coisa que a gente chama de vida. Mas ei, eu não estou reclamando, hum?

=]

Saudades.

A pior coisa de ser de Brasília é o ranço hippie que custa a sair da cabeça. Sempre tem um pé na roça, na paz. É Bob Marley, cabelo desgrenhado e sandália de couro demais pra mim. Ainda bem que eu faço terapia, haha.

Aguentar cliente comentado sobre Gustav Klimt e seu lindo retrato da Frida Kahlo foi o ápice da semana para mim. Quase pedi as contas. ¬¬

Segundo a idiota que eu atendi, essa é a Frida Kahlo. (Retrato de Fritza Riedler, 1906 por Gustav Klimt)

Segundo os meus conhecimentos, esse é um dos vários auto-retratos que Frida Kahlo fez.

Tá aí, um pouco de arte pra vocês.

Da série "Diálogos Impagáveis" no. III

Cliente com filho adolescente: Romeu e Julieta em inglês, por favor.

Colega Vendedor: Temos essa versão da Penguin.

Cliente com filho adolescente (folheando o livro): Mas... é em [formato] de peça?!

Eu: Sim, senhora. Shakespeare escrevia peças...

Cliente com filho adolescente: Mas não tem em romance?!

Eu: Senhora, Shakespeare escrevia peças...? (EM OFF: ô estúpida, T-E-A-T-R-O?)

Dj Club - tirando a poeira das velhas amizades.

Nada melhor do que reencontrar aquelas pessoas desaparecidas, mas não esquecidas. Ou aquelas cujas rotinas não permitem um contato maior.

Continuo com saudade de quem eu não vi. Putos desaparecidos e desnaturados.

À todos, obrigada pelo carinho. Quero deixar um beijo para minha mãe, pro meu pai e pra você, Xuxa.

Deus, esse bom-humor deve ser sintoma de alguma doença mental. =]

Quase um mês depois

A vida está assim, assim... muito boa. E eu escrevo mais para reclamar, logo, o blog está fadado a ficar parado. Sou surpreendentemente maleável e tenho aprendido muito sobre as mais variadas coisas na livraria.

Domingo, dia 28, é o meu 25o. aniversário. E o último, porque a partir desse ano, eu começo a mentir a idade. Sim, estou em crise. :)

Participo de diálogos impagáveis todos os dias. Deixo dois registrados:

DIÁLOGO IMPAGÁVEL 1:

Cliente: Gostaria de livros sobre a Europa.

Marido da Cliente: Olha amor, tem o Atlas Rodoviário da Europa!

Cliente: Ai, que bacana... É de estradas?

Eu: Sim, senhora. (ficando vermelha. A misantropia tenta me dominar.) Dou um sorriso. Sim, senhora. De estradas.

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DIÁLOGO IMPAGÁVEL 2:

Cliente: Esse guia de viagem da Itália é bem completo, né?

Eu: Sim, vem com ilustrações, mapas, curiosidades locais...

Cliente: Olha!!! O Concílio de Trento aconteceu em Trento!!!

Eu: Sim, senhora. É por isso que leva o nome "Concílio de Trento" (hello-o?)

A Noite - Franz Kafka

Afundado na noite. Como alguém que às vezes baixa a cabeça para meditar, totalmente afundado na noite. Em torno as pessoas dormem. Uma pequena  encenação, um inocente auto-engano de que dormem em casas, em camas firmes, sob o teto sólido, estirados ou encolhidos sobre colchões, em lençóis, sob cobertas, na realidade reuniram-se como outrora e mais tarde, em região deserta, um acampamento ao ar livre, um número incalculável de pessoas, um exército, um povo, sob o céu frio, na terra fria, estendidos onde antes estavam em pé, a testa premida sobre o braço, o rosto voltado para o chão, respirando tranqüilamente. E você vigia, é um dos vigias, descobre o mais próximo pela agitação da madeira em brasa no monte de galhos secos ao seu lado. Por que você vigia? Alguém precisa vigiar, é o que dizem. Alguém precisa estar aí.

 

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Umas das coisas mais compensadoras de se trabalhar em uma livraria é a possibilidade de descobrir, ao acaso ou através de conversas no café, algumas preciosidades como essa acima.

 

"A Noite" está em Narrativas do Espólio - Franz Kafka.

Nota pessoal sobre Política.

 

Aproveitem, que eu não sou de soltar opinião sobre essas merdas.

Nas últimas eleições presidenciais, minha posição era de que fosse "concedida" uma chance ao governo de ideologia de esquerda, aproveitando a insatisfação generalizada e a vontade de acreditar em milagres. "Dê uma chance ao Lula, dê uma chance à Esquerda; se eles fizerem bem, ótimo. Se fizerem merda, ao menos saberemos odiá-los com uma razão real".

Dada a situação atual, na minha modesta opinião de tapada política, está tudo a mesma merda, se não estiver pior. Então eu digo hoje: voltemos à incompetência da Direita. Ao menos, eles nos fazem menos idiotas, pois sabem roubar de verdade, e não se iludem com ideologias patéticas que a Esquerda parece ter. E nesse meio tempo, ainda governam! Quanta competência.

Mas hei, isso é só o que eu penso. Se é pra ter merda, que seja direita. (pegaram?)

PS: Um dos sinais do Apocalipse, ainda falando em política, é saber da pesquisa de ontem - caso o Lula não concorresse à reeleição, o Garotinho venceria. Aí, meu amigo, é só esperar os 4 Cavaleiros com a .12 na mão.

Balada na Livraria Cultura do Villa Lobos - Harry Potter novo, sexta-feira, até as 2h da manhã. Eu vou!

Estou aqui, meio sem ter o que falar/escrever.

Dias bons. Noites boas, tranqüilas. Às vezes tenho uns pesadelos, mas são só pesadelos, eu acordo sem estar assustada realmente; olho ao redor e reconheço onde estou, então volto a dormir logo.

O corpo começa a sentir o peso da escala 6/1 (trabalho/folga). A mente continua verde e fresca. É assim que eu a sinto, pelo menos. Verde, fresca. Acho que é muita novidade, informação sendo processada, esperanças, projetos, essa coisa toda.

Tentando ler livros de novo, que não tenha relação com design, com hipermídia. Acho que no fundo eu me preocupo em não perder o gás, sabem. Não perder o foco.

Por enquanto é isso. Olhando para a frente, sorrindo sempre.

 

PS: O título é real, lançamento mundial do 6 livro do bruxo. 12:01h abriremos as caixas. Me ajudem, apareçam lá. Não sei se sou capaz de ficar sem cometer um simples homicidiozinho.

Como eu não li isso antes?

Have fun: Million Dollar Kiss

Se há algo a dizer, a manicure vai lá e diz. Sem meias palavras. You go, (my) girl!

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No trabalho: Tirando o fato de adolescentes de classe alta resolverem ocupar suas estúpidas vidas gritando, rindo e azucrinando uns aos outros no setor de Artes de uma livraria de shopping, tudo corre muito bem.

Não me entristeço de vê-los ali, imbecis e vazios, cheios de hormônios, idéias erradas e pretensões sobre suas próprias vidas. Não me preocupo se algum deles simplesmente cair do mezanino e quebrar o pescoço - geralmente estou muito ocupada ao telefone.

Me preocupo simplesmente se eles vão deixar cair sangue, saliva ou qualquer outro fluido corporal em cima de Sin City. Adolescentes estúpidos.

Se você é parente de algum desses animais, coloque a coleira neles. Enfie aquela coroa do Burger King na orelha deles. Costure a boca das meninas. Se você é um adolescente, faça algo de útil nessa fase deprimente: sobreviva lendo livros. Quem sabe você não vire algo digno quando crescer.

Eu abomino adolescentes. Eu amo a minha TPM, ela me faz ser mais feliz e sincera.

Império com uma nota, maestro:

* Ninguém constrói um Império sendo "humilde".

Não que eu acreditasse nisso. Já acreditei em outras coisas, também pueris como isso, mas o melhor é perceber o esforço em fazer com que as pessoas acreditem nisso.

HUMILDE - Acepções
adjetivo de dois gêneros
1    que tem ou manifesta a virtude de conhecer suas próprias limitações
2    que manifesta sentimento de fraqueza, de modéstia
3    que expressa ou reflete deferência ou submissão
4    inferiormente situado em uma hierarquia ou escala
5    de pouca importância ou brilho; sem realce; apagado, despretensioso, simples, sóbrio.

retirado do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

Fora essa pequena mas pontual observação, está tudo muito muito muito bem nessa minha vida. :)




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